Ninguém foge dos EUA para Cuba a nado

por William Dunne

Provavelmente isso é verdade. Nunca ouvi falar de ninguém que tivesse fugido dos EUA a nado, pra onde quer que fosse. Nem mesmo para Cuba, terra do Alejo Carpentier, do Wilfredo Lam, do Sonora Matancera, do Capablanca e de tantas outras figuras incríveis, de praias bonitas, de gente bonita. Nem mesmo para Cuba nenhum norte-americano jamais fugiu, provavelmente, a nado. Eu nunca fugi a nado pra lugar nenhum, no máximo para a praia mais próxima. Minto, uma vez nadei até uma ilha, pra fugir da minha mãe, mas ela veio nadando atrás de mim. Foi na Maçaguaçu, em Caraguatatuba. Era uma ilhazinha que ficava bem perto. Se um dia, depois de entrar em forma, eu fosse até os EUA para fugir a nado para algum lugar, Cuba seria uma séria candidata. Desembarcaria em Miami e correria pra praia, dar um mergulho que só terminaria em Cuba.

Como eu não tenho grana no momento (e talvez nunca tenha), teria que tentar entrar nesse avião sem ter uma passagem. Talvez no trem de pouso, como alguns já fizeram. Ou talvez invadisse um navio. Foi assim que Marcos Abraham Villavicencio tentou entrar 11 vezes nos EUA. Da primeira vez ele ficou duas semanas sem comer nem beber água, mas pegou o navio errado, foi parar na Argentina. Outra vez ele foi arremessado ao mar, junto com três amigos, que morreram. Ele sobreviveu. Apesar de suas aventuras para tentar entrar nos EUA serem muito arriscadas, Marcos sobreviveu a todas elas, vindo a morrer por causa de uma briga em um bar, esfaqueado, em seu próprio país. Marcos não era cubano. Ele tentou fugir para os EUA da República Dominicana, quase a nado. Segundo os dados oficiais, 10% dos dominicanos vivem no estrangeiro, a mesma proporção da ilha de Fidel Castro.

Os meios de fugir para os EUA são muitos. Um deles é pelo México, andando. O problema é que os EUA ergueram um muro de 3141 quilômetros na fronteira com o vizinho pobre. O famoso muro de Berlim deixou um saldo de 223 mortos, o muro na fronteira EUA-México já matou 5,6 mil pessoas. É uma boa notícia para os norte-americanos, que gostam de recordes e de serem os maiores em tudo. Superaram de longe o muro de Berlim, e deixaram a Stasi no chinelo com a NSA. Esse país é o máximo! Eu preciso ir pra lá, e fugir em seguida para Cuba a nado. Eu seria o primeiro, eles jamais me perdoariam. O soviético Iuri Gagarin foi o primeiro homem a viajar pelo espaço, eu serei o primeiro homem a fugir dos EUA para Cuba a nado. Gagarin disse: “A terra é azul. Como é maravilhosa. Ela é incrível”. São palavras que me comovem até às lágrimas. Quando eu chegar em Cuba, fugindo a nado dos EUA, vou escrever um livro em homenagem às suas cores, o céu azul, as mulheres morenas, as comidas com cores que eu nem imagino.

Apesar das tentativas dos EUA de conter a imigração, não adianta, a pobraiada da América latina continua invadindo o país. Quando alguém me fala que “ninguém foge dos EUA para Cuba a nado” isso não é um desafio esportivo. Quando dizem isso, apresentam esse fato como uma prova incontestável do fracasso de um modelo. De um lado, o modelo vencedor, capitalista, para onde as pessoas fogem a nado. De outro, o modelo fracassado, comunista, de onde todos que conseguirem sempre fugirão. O problema é que o fenômeno da emigração na América Central não tem nada a ver com o regime de nenhum desses países. O fenômeno abrange toda a região, e é diretamente relacionado à opressão imperialista e à miséria. São todos países atrasados dominados pelos EUA.

Cuba é o único país que chegou a estar no rumo do socialismo na região, expropriando os capitalistas e enfrentando o imperialismo norte-americano. Por acaso também foi lá que os EUA começaram a colocar as mangas de fora, ocupando o país por ocasião da guerra de independência de Cuba contra a Espanha. Em 1901, os EUA enfiaram na Constituição de Cuba a infame Emenda Platt, que autorizava os militares norte-americanos a intervir no país. Era o começo de uma longa trajetória de intervenções e golpes dos EUA na América latina, como o golpe da Guatemala em 1954 e as tentativas fracassadas de derrubar Fidel. Como já vimos acima, 10% dos cubanos vivem no estrangeiro, mesma proporção da República Dominicana. Há casos bem mais extremos. Dos 8,7 milhões de porto-riquenhos, 5 milhões vivem fora do país, e apenas 3,7 milhões insistem em ficar rodeados por praias, sob o sol do Caribe. Há menos de dois meses atrás, no dia 26 de julho, o presidente dos EUA, Barack Obama, reuniu-se com os presidentes da Guatemala, Honduras e El Salvador para pedir que eles ajudassem a conter a imigração. Crianças desses países estão migrando para os EUA sozinhas, batendo recordes de chegada de crianças todos os meses. Em 2013, 16,4% do PIB de El Salvador saiu de remessas de imigrantes que moram nos EUA. E por aí vai. Toda a região é pobre, e em toda a região as pessoas fogem para os EUA, das mais variadas formas.

É dentro desse quadro de atraso e opressão que o regime de Cuba deveria ser avaliado. Não se trata de um modelo ideal tirado da cabeça de alguém, mas de uma luta concreta contra a dominação imperialista. Desse ponto de vista, o avanço é evidente. Entre os cubanos que migraram para os EUA estava o escritor Reinaldo Arenas (1943-1990). No final de seu livro “Antes que anoiteça”, Arenas narra sua desilusão com seu novo país, em um capítulo chamado “despejo”: “Meu novo mundo não era dominado pelo poder político e sim por esse outro poder, igualmente sinistro: o poder do dinheiro. Depois de viver neste país durante alguns anos acabei entendendo que se trata de um país sem alma, pois tudo está condicionado ao dinheiro”. Por isso, sempre que me dizem “então vai pra Cuba”, além de constatar que meu interlocutor é um idiota disposto a papaguear qualquer asneira que escuta, deixo meu olhar vago se perder no horizonte, já não escuto os argumentos do outro, e começo a sonhar com a minha fuga a nado para Cuba, partindo da Flórida.

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Sem Pena

Por Leandro Monerato

Um dos filmes achacado pela Folha de São Paulo foi o “Sem Pena” de Eugênio Puppo. Por tratar de “temas políticos sociais urgentes”.

E não é de se espantar. O filme que arrebatou  público, vencendo pelo júri popular o 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro é arrepiante. Não apenas pelo conteúdo, mas pela forma como se constrói a narrativa.

Esconde-se o rosto dos depoentes para evitar o racismo contra os negros que falam.

O conteúdo ainda mais. Trata-se do sistema judiciário e carcerário do país que é um dos maiores e piores do mundo. Uma denúncia contundente sobre a falência desse sistema.

A Folha não gostou do filme: mais um ponto para o filme “Sem Pena”. Segue abaixo o trailer do filme que vale muito a pena de ser assistido por todos. Embora o grande circuito como a Folha tratarão de esconde-lo.

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O esgotamento da Folha de São Paulo

por Leandro Monerato

Por ocasião do 47º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, a Folha de São Paulo escreveu: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/09/1523915-analise-festival-de-brasilia-flagra-esgotamento-de-jovens-diretores.shtml “A seleção de filmes, por outro lado, não foi muito animadora. Os seis longas da competição, em diferentes medidas, flagraram o esgotamento de um tipo de cinema feito principalmente por jovens e destinado em geral ao circuito de festivais.” Segundo o artigo: “Todos esses filmes respondem a (ou partem de) algumas ideias em comum: maior valor ao processo do que à  das dramaturgia, rompimento das fronteiras entre ficção e documentário, destaque ao afeto e à amizade, ausência de construção psicológica dos personagens, atenção ao tempo real. “Além disso, apresentam uma conexão com o neorrealismo italiano, sobretudo no desejo de tocar em temas sociais urgentes. “Desse modo, nos seis longas exibidos (e na maior parte dos curtas) vemos sinais de um esgotamento.” Segundo eles esses filmes “apoiam-se unicamente em preocupações sociais que costumam gerar adesão automática”!?

Pelo que se vê o crítico de arte da Folha de São Paulo tem uma receita de bolo própria que quer impor aos artistas da nova geração. Ao invés, é preciso entender objetivamente o porquê tal arte se apresenta de determinado modo.As causas sociais e políticas que motivam que a nova geração de diretores prefira temas políticos, e o por quê da adesão automática do público aos temas sociais deste filmes.

A situação política atual, a acentuação das contradições políticas, a crise econômica, a desagregação política atual é tal qual a arte como expressão subjetiva da realidade objetiva não poderia se imiscuir de expressar essas contradições.

Ao invés de esgotamento da nova geração, fica evidente o esgotamento do jornaleco que quer esconder por baixo do tapete a crise patente.

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Supermercado

por William Dunne

João não saberia dizer se foi de seu avô ou de um comercial de banco que ouviu a máxima, “é preciso ter um objetivo na vida”. A frase provavelmente não era exatamente assim, devia ser mais interessante. Mas é assim que ele, contemplando seus anos de fracasso cristalizados nas ruínas de uma sala empoeirada, conseguia se recordar desse aforismo. A rigorosa ordem dos livros contrastava com o desarranjo ancestral do lugar. Classificados e separados segundo o gênero e o sobrenome dos autores, em ordem alfabética, aqueles objetos eram como um exército marchando sobre os escombros de uma cidade destruída na véspera, talvez por um outro exército ou pelo tédio. Sozinho desde o divórcio, uns dez ou quinze anos antes, João não tinha nenhum “objetivo na vida” além de devorar aqueles livros com o desespero solitário próprio dos tipos maníacos, como os colecionadores, os serial killers, as donas de casa, os jogadores de xadrez. A falta de “objetivo na vida”, no entanto, não dispensava João das pequenas contrariedades da vida ordinária e cotidiana. Certa vez, João precisava pagar um boleto de livros que ele tinha encomendado na internet. No meio da catástrofe que era sua casa, ele tinha certos pontos de referência que lhe permitiam fazer as escavações arqueológicas de seus pertences pessoais com relativa agilidade e precisão. Contudo, desta feita o método não estava funcionando, de modo que sua carteira permanecia incógnita depois de meia hora de diligências lançadas em sua busca. É possível que fosse uma questão de revisar as teorias em que tinha acreditado até ali. João apanhou alguns livros de teoria da história para tentar encontrar o arcabouço teórico que o ajudaria a desvendar o mistério da carteira. Ele estava entusiasmado, era o momento em que, tentando resolver uma tarefa banal, poderia surgir a centelha genial que o levaria a lançar novas bases para a compreensão dos fenômenos humanos, uma nova etapa para as ciências. Depois de algumas horas de pesquisa, decidiu ler um romance de Agatha Christie, para ver se vinha alguma inspiração para resolver o enigma. Quando começou a escurecer sentiu fome, e se deu conta de que não tinha nada na geladeira ou no armário, e que não conseguia achar o dinheiro que precisaria não só para pagar a conta,como também para comer. João desistiu da teoria e se lançou em uma busca irracional, agitada e inútil. Procurava embaixo de uma blusa, na gaveta do criado mudo, atrás do sofá. Lugares em que ele já tinha procurado a carteira durante aquela tarde, e em que procuraria mais de uma vez antes de desistir. O tempo passava e o estômago de João começou a roncar. “É preciso ter objetivo na vida”, pensou. Vestiu um casaco e abriu a porta da rua. O ar gelado veio como um tapa na cara de João, que voltou para vestir um casaco maior. Na volta, esbarrou na estante, derrubando um livro no chão. Antes de colocá-lo no lugar, leu na capa o título, “Uma Gota de Sangue”. Sem dinheiro e sem um rumo definido, João foi descendo pela rua. Alguns quarteirões à frente, deparou-se com um supermercado. Um grande supermercado que, segundo o gerente me contaria um dia desses, tinha como “público alvo” a “classe A”. O lugar era vigiado por homens altos e fortes, vestidos de camisa branca, e terno e gravata pretos. João não se intimidou. O segredo era ter cara de pau e autocontrole. Principalmente, ter um objetivo. João teve a sensação de que estava sendo acompanhado, seguido por um daqueles homens de preto. Era preciso ter frieza, entender que essa impressão era normal, e que o mais provável é que ele, um homem branco, de meia idade, vestido de maneira “aceitável”, não estava sendo perseguido. O casaco maior veio a calhar. João apanhou alguns queijos, com gestos naturais e harmônicos, e os colocou no bolso com a familiaridade com que colocaria seu isqueiro. Depois pegou um presunto cru espanhol, aproveitando a promoção. O menu sugeria um vinho, que João tratou de acomodar em um grande bolso interno do casaco. O volume daquela indumentária não chamava a atenção, era um dia especialmente frio e úmido. Quando, já na saída, João ouviu soar o alarme e um daqueles seguranças engravatados vir em sua direção, pensou que estava tudo perdido. No entanto, manteve sua postura. Lembrou-se das lições que aprendeu jogando poker e apegou-se ao seu objetivo. Se aquilo desse errado ele teria que passar fome. O coração batia cada vez mais forte, à medida em que o segurança se aproximava. O homem parecia cada vez maior, quanto mais perto chegava. João continuava andando em linha reta, em direção à rua, sem olhar para o gigante que se aproximava. Por um instante pensou em correr, ou em se entregar. A boca ficou seca, uma gota de suor frio escorreu pelas suas costas. O tempo era curto, antes que tomasse qualquer decisão, João viu-se cruzando com o homem, que parecia agora ter uns cinco metros. A criatura passou reto, e João suspirou aliviado. Seu corpo parecia mais leve, como se pudesse flutuar se quisesse. Orgulhoso de sua habilidade, João deu mais uns trinta passos sem olhar pra trás. Julgando que a distância era segura o suficiente para, em último caso, sair correndo, ele finalmente se voltou pra trás, para entender o que estava acontecendo. Quatro seguranças cercavam um homem, vestido com trajes esportivos. Ele dizia, indignado, “não fui eu!”, enquanto mexiam em suas coisas e o revistavam, na frente de alguns clientes que paravam para observá-lo. Estava tão indignado que acabou xingando um dos vigilantes. Os jornais contariam no dia seguinte a história de um famoso arquiteto espancado por quatro seguranças em um supermercado. As câmeras mostrariam que ele era o único negro no local, além dos próprios seguranças.

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A liberdade consentida: uma pequena nota sobre a prisão do Emicida

por Guilherme R. Lopes

“Quem não se movimenta, não sente as correntes que o prendem” – Rosa Luxemburgo

O Estado burguês é a ditadura do Capital. Às vezes citamos algumas expressões tão amiúde que esquecemos a realidade cruel que se esconde por trás delas.

A experiência contemporânea mostra que a repressão e o ataque às liberdades de expressão e organização não conhecem fronteiras. Na Grécia, Espanha, Portugal, Inglaterra, ou nos EUA: onde quer que se levantem as vozes e movimentos que contestem o caráter desumano e desigual do sistema capitalista, o Estado e seus cães de guarda, a polícia e o aparato repressivo, a mídia e as instituições conservadoras, mobilizam-se prontamente para desmoralizar, criminalizar e esmagar fisicamente os focos de pensamento crítico e revolta.

No Brasil não é diferente, embora, aqui, os acontecimentos ganhem cores mais cruéis de tragédia social. Em tempos de discussões sobre reparação e Comissão da Verdade, de debates sobre a apuração dos crimes da ditadura, é comum que se pense que as coisas mudaram e que o passado triste aos poucos se afasta da realidade ensolarada e promissora deste país do futuro – um contra-senso, uma vez que a própria ausência desse debate até hoje mostra que vivemos em um país que é herdeiro daquele sistema autoritário.

Nos países de capitalismo avançado e tradição democrática consolidada, a crise econômica e social que se agrava desde a virada do século assumiu contornos dramáticos que evidenciaram o caráter repressor da democracia capitalista. As notícias de grandes manifestações e confrontos com as forças da ordem se tornaram bastante comuns. No Brasil, como costume de um país de tradição autocrática e oligárquica, qualquer movimento, de pessoas ou ideias, que acuse os responsáveis pela nossa histórica tragédia social ou que exija reparação de alguma mazela foi sempre prontamente combatido.

Não é diferente agora, quando vivemos a nossa “estabilidade democrática, econômica e social”. O rapper Emicida foi preso, acusado de desacato, após ler uma nota condenando a desocupação de um terreno em que viviam trabalhadores sem-teto em Belo Horizonte. Pesou para a acusação a letra de uma música sua em que trás à tona absurdos similares (como a desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos) e na qual coloca o “dedo na ferida”, denunciando o papel violento e brutal da polícia durante a (sic) reintegração da posse.

O caso é emblemático, uma vez que combina a violação de vários direitos democráticos que nossa sociedade assume como evidentes: o direito à moradia, o direito à liberdade de expressão e o direito à organização. Violações que se concretizam na criminalização cotidiana que padecem os movimentos sociais – seja pela repressão policial direta, seja pela campanha de desmoralização realizada pela grande imprensa.

Ao que parece, o respeito aos direitos democráticos não é uma obrigação do Estado e demais instituições. É uma concessão e benesse que distribuem conforme lhes seja agradável. A liberdade de expressão existe quando não incomoda as oligarquias donas do poder. A liberdade de organização é direito incontestável, desde que não conteste o poder das elites. A democracia existe de fato, mas apenas para aqueles que não ousam praticá-la.

Na realidade, o Brasil é uma democracia somente na letra da lei e no discurso das grandes corporações midiáticas que vivem da desgraça e do controle social. O Estado brasileiro, complacente com a miséria e exploração cotidiana de milhões, garante a liberdade de pensamento desde que ela se confine aos limites dos interesses e da cartilha ideológica rezada pelas classes dominantes. Assim, a democracia, propagandeada como o poder do povo, se realiza de uma forma perversa: temos todos o poder – de concordar e aceitar.

A indignação que nos causa esse estado de coisas alenta um desejo: que as vozes que se ousam levantar nesses dias de sombra se tornem a cada dia mais fortes e numerosas, e que possam, finalmente, fazer ceder as forças que sustentam essa ordem de injustiças. Façamos coro com a denúncia do Emicida: “Foda-se vocês, foda-se suas leis! / Homens de farda são maus / era do caos / Frios como halls, engatilha e plau! / Carniceiros ganham prêmios na terra onde bebês respiram gás lacrimogêneo”.

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aos que falharam

Puxei a lapiseira sobre o papel pautado
Em branco, perguntou:
“O que pensa que está fazendo?!”
Hesitei
Olhei em volta, como se algo tivesse me chamado
Tarde demais, ele percebeu
E assim como todos os que sentem-se superiores à alguém
Ele cresceu
Às alturas!
Uma imensa folha de papel em branco
Orgulhosa com o fato de me ver ali embaixo
Minúscula
Uma mísera formiga querendo brincar de artista…
Foi quando abandonei a folha
“Desistiu?”
Nunca!
Minha arte é viva
Não precisa de papel para aprisioná-la
Há de voar nas cabeças dos homens
Os cérebros sobre os quais escrevo
(Com toda sua elétrica e química impressionantes)
Cérebros
Vivos como a arte!
“E quanto à folha?”
Continuou a crescer
Ganhou espessura
Virou um muro
Hall of shame de todos os artistas que desistiram

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filosofia boemia

por Rafael Valotta Rodrigues 6-3-2009

“Vamos poetas, vamos celebrar
celebrar a busca sem sucesso
contemplar mais uma noite filosófica
filosofia vaga, copos e pensamentos

Vamos nos lamentar, a flor da pele
e permanecer estáticos, sem rumo
apenas chorar, de mãos dadas
tragar a solidão, em meio ao vácuo

Vamos sofrer,arder…e usar isso como um artifício:
Uma maneira de não sentir-se tão vazio…”

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