Puxei a lapiseira sobre o papel pautado
Em branco, perguntou:
“O que pensa que está fazendo?!”
Hesitei
Olhei em volta, como se algo tivesse me chamado
Tarde demais, ele percebeu
E assim como todos os que sentem-se superiores à alguém
Ele cresceu
Às alturas!
Uma imensa folha de papel em branco
Orgulhosa com o fato de me ver ali embaixo
Minúscula
Uma mísera formiga querendo brincar de artista…
Foi quando abandonei a folha
“Desistiu?”
Nunca!
Minha arte é viva
Não precisa de papel para aprisioná-la
Há de voar nas cabeças dos homens
Os cérebros sobre os quais escrevo
(Com toda sua elétrica e química impressionantes)
Cérebros
Vivos como a arte!
“E quanto à folha?”
Continuou a crescer
Ganhou espessura
Virou um muro
Hall of shame de todos os artistas que desistiram
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