A escravidão nos Estados Unidos fora abolida oficialmente em 1863. No Brasil, em 1888. Mas os negros de ambos sabem que isso não alterou de fato a sua realidade. Mudando mais a sua nomenclatura.
1945. Ano em que se passa este importante filme. O conflito de classes atinge novo ápice, o mundo está em guerra. No interior do estado de Georgia, a opressão dos negros continua. O Estado defende os ricos e poderosos. As leis de igualdade são apenas "para inglês ver".
Lena Baker, é a protagonista de uma história dentro da história. É a única mulher a ser condenada a cadeira elétrica nesse estado. Mas sem consistir em exceção, o seu exemplo se soma ao de milhares e milhares, que foram condenados. Em sua última hora, a declaração: "O que eu fiz, fiz em legítima defesa. Não tenho nada contra ninguém. Estou pronta para encontrar Deus."
E é assim que se continua a punir. Os que se defendem, os que procuram de alguma maneira sobreviver. Será por acaso, então, as cadeias serem em grande maioria negras?
Escravidão-salário mínimo, senzala-prisão, senhor de engenho-patrão, capataz-policial.
Realidade? A constituição nacional é um verdadeiro conto de fadas. Pior, ninguém acredita nele. Mas ainda o obedece...