aos que falharam

Puxei a lapiseira sobre o papel pautado
Em branco, perguntou:
“O que pensa que está fazendo?!”
Hesitei
Olhei em volta, como se algo tivesse me chamado
Tarde demais, ele percebeu
E assim como todos os que sentem-se superiores à alguém
Ele cresceu
Às alturas!
Uma imensa folha de papel em branco
Orgulhosa com o fato de me ver ali embaixo
Minúscula
Uma mísera formiga querendo brincar de artista…
Foi quando abandonei a folha
“Desistiu?”
Nunca!
Minha arte é viva
Não precisa de papel para aprisioná-la
Há de voar nas cabeças dos homens
Os cérebros sobre os quais escrevo
(Com toda sua elétrica e química impressionantes)
Cérebros
Vivos como a arte!
“E quanto à folha?”
Continuou a crescer
Ganhou espessura
Virou um muro
Hall of shame de todos os artistas que desistiram

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filosofia boemia

por Rafael Valotta Rodrigues 6-3-2009

“Vamos poetas, vamos celebrar
celebrar a busca sem sucesso
contemplar mais uma noite filosófica
filosofia vaga, copos e pensamentos

Vamos nos lamentar, a flor da pele
e permanecer estáticos, sem rumo
apenas chorar, de mãos dadas
tragar a solidão, em meio ao vácuo

Vamos sofrer,arder…e usar isso como um artifício:
Uma maneira de não sentir-se tão vazio…”

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tiros sem alvo

por Leandro Monerato

Criogenia!
Intoxicação?
Melanina.
Menina.
Samba-canção;
Sinfonia…
Sim ou não?
Um tiroteio de palavras tem um sentido?
Em você ou em mim?
Ou ou e?
Acertou ou foi bala perdida?
Perguntas que ficam
Sons que foram
Emissor que já não é.

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