Perspectivas

por Leandro Monerato

Eis que d’árvore desci. pensei “porque esse tal de não jogar lixo na rua?” e o sentimento seguia paralelo. uma negação fortíssima. gostaria de negá-la, a própria pergunta, ao terminar de tudo. Concluiria, talvez: não deve existir lixo na rua.
Não há dúvida que a Humanidade criou obras esplendidas como são algumas de nossas (?) cidades (limpas?)
Não vivemos, há tempos, na rua! Passamos por ela. vamos. chegamos. voltamos, apenas.
qual o problema?
“A ESTÉTICA!” gritou-me um neurônio;
é cômico (lembrando do outro lado da moeda (paradigma social): trágico) como a estética desses é mágica (!), colocar a sujeira em algum lugar não-lugar.
Donde que se vê em alhures o “sistema” fervendo e pipocas estourando, (ih..nem mais isso), quando muito favelas contra favelas
Mas aqui já fala-se de uma combinação com outro “lixo” (?) o lixo humano. mas fala baixinho (eles não querem ouvir). Fazer é fácil, saber é difícil.
A favela não é um monte de lixo reciclado? ou reutilizado? arrumado de tal forma a dar abrigo! (lixo abriga. que arquitetura biruta. esses lixos humanos eis que são homens geniais…que feito!…muito me lembra os esquimós que utilizam o próprio ambiente hostil em prol de sua sobrevivência. felicitai-vos os esquimós, pois o cheiro deve ser ao menos melhor.)
Grandes lixões, onde sem surpresas, encontramos alguns humanos-lixo (jogados fora do sistema) retirando alimentos ou quando a sorte sai algo de valor, como um cabide, uma boneca da barbie sem cabelos.
Não esqueçamos! essa burguesia produz lixo e bastante. é lixo-lixo, lixo-gente que não acaba mais. Eles vão ao mercado, compram-nos, consomem-nos e depois jogam fora, assim sem mais, (não sempre o último ato é precedido pelos anteriores)
E ainda vemos na cidade vemos na cidade lixo-gente levando lixo-lixo para os lixões para que outros lixo-gente possa comer às 23:59. e outros lixos-gentes sentados por aí para que realizemos sei lá qual mandamento de deus nosso SENHOR: a compaixão (que sentimento lindo num cena errada)
Tenhamos compaixão pelos nossos todos olhares. após começarmos a jogar o lixo na rua. Para que não surjam lugares quentes e perigosos como as favelas para que o lixo-gente não tenha que deslocar demais ou que é pior: viver próximo dos lixões.
Ou então! (grandes músicas melodias soam quando algo assim existe (mesmo que meramente enquantal) sonhemos com uma cidade limpa sem lixo (lixo-lixo+lixo-gente
)… para novamente viver nas ruas, com todos numa grande festa fotossintética (dirão os utópoucos..hahahahaha….

Dias Rastejantes

por Thiago Lobão

O tempo corrói
os meus dias
como ácido ou chuva
em escultura
E me persegue como fera de savana
atrás da presa da temporada
(o tempo está solto)

Até aprendi a disfarçar
saudade
detrás de sorriso de moço
Saudade que nunca tive…
E indago-me:
viveria para além da vida a saudade de viver?

Não contemplo meu tempo adiante,
simplesmente foge-me ele,
como que saltasse os dias
que rastejam dentro de mim
(o tempo está preso)

E deixando oscilar faces
– para cada segundo atemporais –
Faço-me modesto e indecente defronte à vida
(vida que é presa solta
Solta presa;
vida que é vida por que é
menos solta do que presa,
vida que é menos presa do que solta)

Vida que é tempo por que sou eu,
e que é mais vida por que é tempo
Simplesmente, somente, apenas só isso.

Anda

por Gustavo Borges

Selados nas semanas esquecidas
Silêncios em corredores e alamedas
Sempre cheios
Agora vazios
Povoados de sonhos
E curiosidades

Vai meu sonho
Alma breve
Conta o tempo
Move o mundo

Horas, espelhos,
Sorrisos lembranças
Aproveite…
A beleza efêmera

De tentativas e risos
Olhares na escuridão
Decepção e êxtase
A beleza violenta

Nos círculos cabem vozes
Mais que em quadrados
Neles cantam pássaros
Voam águias

Repousam memórias
Meu pensamento
Está licenciado
Longe daqui
Nas dunas
Oníricas

Raposa faminta
Escolhe palavras
Nada basta
Tudo falta
Em especial…
Sua presença

Versos diretos
Leitores no meio
Quem me lê
Assobia…

Não me canso de tentar

Talvez mais letras
Sílabas sonoras
Ritmo mágico
Não…

Poesia é sair
Do sofrimento
Viajar
Nas sombras
Supor
O improvável

Eis

Não há nada,
Nada, nada
Preferível
À paixão

“Estando à sombra das Horas/Senhoras da minha existência”, definitivamente….
30/07/09