Posted on 9 09UTC Novembro 09UTC 2009 by Eber Josué
por Eber Josué
Farei uma festa esse domingo.
Convido.
Terá, é claro, vinho e cerveja.
Esteja!
Selecionei os comensais à risca –
Fiz lista.
Até os excêntricos dirão “que mara!”,
Repara:
Encarregado de dar pompa à singeleza:
Beleza.
Pra conferir graça e notoriedade:
Felicidade.
Pra dar aquele brilho e, claro, sabor:
Amor.
Pra dar um tom, um quê, de seriedade:
Saudade.
Pra não fazer desfeita ao outro lado:
Pecado.
Pra recolher o que sobrar à mesa:
Tristeza.
Da lista já excluí um bocado.
Calado!
Os que não merecem minha atenção.
Ah, não.
A quem um dia estendi o braço
(Capacho),
E no outro recolhi a mão –
Traição.
A ti está de pé o meu convite.
Envide.
Se decidir o faça a pulso firme –
Confirme.
A seu prazer vou decorar o recinto.
Requinto.
Farei questão de adornar seu nicho.
Capricho.
Será sua a melhor mesa.
Certeza!
Porei a música que você ama.
Bacana?
Afinal a festa tem um só porquê:
Você.
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Posted on 5 05UTC Novembro 05UTC 2009 by Thiago Lobão
por Thiago Lobão
Agora é assim…
Não sei do mundo,
não quero ficar…
Te dei um mundo,
mas não vou guardar
o mundo nosso que ficou em mim
Não quero bater
a porta pra amanhã
sonhar te ver entrar,
não vou pedir as chaves
pra você poder
ter o meu colo quando amanhecer
Veja,
não quero se talvez você quiser
saber da vida, duma outra qualquer,
serei silêncio ao te ver pra crer
Porém não,
não vou negar o choro temporão
era tudo que tinha ali no portão
quando te abracei
sem te ter na mão
Sim,
agora vejo flor no meu jardim
pingar o tempo que não soube dar
tempo pro amor em nós sempre morar
Mas sei,
saudade fica sempre para além,
depois de tudo, de qualquer alguém,
talvez num canto lá do coração
E então,
só quero simplesmente te dizer:
daqui pra frente será sempre assim,
você morando sem morar em mim
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Posted on 2 02UTC Novembro 02UTC 2009 by Thiago Lobão
Para vovô
Vovô não sabe,
mas dizem que sou poeta…
Vida vai e vem, vovô,
como nesta poesia vai e vem
saudade e vontade – as mesmas que vi em você, poeta
E é tudo assim ou está assim?
Estaria você em jardim?
Disfarçado de flor, como a vida em mim,
como está a ida para o fim?
Tenho sim, vovô, perguntas
(mais do que antes)
Todas nuas, pueris, disjuntas;ainda
Mas já tenho este poema:
ponto vivo, letra ambulante, palavra cambaleante, assonante fonema – já descobri!
Tenho mais do que uma vida,
tenho um poema vivo…
Que em você começa quando me vem infantil,
como em Jauá, eu criança, em céu de Abril
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